Eu imagino que ter um filho seja coisa para nos invadir de uma alegria sem precedentes. Não tenho filhos, portanto, só posso imaginar. Assim sendo, eu compreendo que o tema de conversa com uma recém-mamã esteja confinado a tópicos directa ou indirectamente relacionados com a criança. A sério que compreendo. O que eu não compreendo é aquela pergunta idiota, que não há vez nenhuma que não venha à baila, sempre que encontro uma recém-mamã: «E tu? Quando tens um?».
Ora bem... É provável que eu tenha um filho depois de:
(I) Decidir que quero ter filhos.
(II) Encontrar um pai decente para ele.
(III) Fazer o amor com o candidato a pai (possivelmente mais do que uma vez).
(IV) Um dos espermatozóides do candidato a pai fecundar um dos meus óvulos.
(V) Esperar 9 meses (mais dia menos dia) até que ele me saia aos berros por um orifício naturalmente concebido para o efeito (a menos que eu opte por cesariana).
PS1: Os pontos I e II, não necessariamente pela ordem descrita.
PS2: Se me continuarem a falar em noites mal dormidas, mamilos gretados e hemorróidas, o ponto I fica seriamente comprometido.
PS3: Tendo em conta que a pergunta é sempre feita por pessoas que conhecem a minha actual condição de solteira, a mesma ganha um nível de idiotice difícil de equiparar.


