sábado, 23 de março de 2013

As intermitências do raciocínio

Quando as horas de sono são menos do que as necessárias, até o simples e rotineiro processo de ajeitar o sofá, para aquilo que será uma tarde com ócio a perder de vista, se pode transformar - ainda que por breves segundos - na convicção de que estamos a experienciar um fenómeno paranormal, ali, no meio da nossa própria sala, sem que ninguém nos possa acudir. O cérebro cansado bloqueia no meio daquela gritaria infernal que parece vir da televisão. Sim, é ela que grita! Ufaaa, não são as forças o mal! Volume?! Comando?! Onde está?! Rápido! A mão direita, a única disponível no momento, revolve as mantas e almofadas que cobrem o sofá. Nada! O volume não pára de aumentar. O cérebro cansado, e agora violentado pelo berreiro, volta a equacionar a hipótese de uma televisão possuída. Não tardaria muito para que jorrasse água e cuspisse uma criança enlameada, com os compridos cabelos negros molhados a esconder-lhe a cara. Eu, de costas para a televisão, com a mão direita ainda a procurar o comando, soterrado naquelas mantas displicentes, seria sugada a qualquer momento para dentro do aparelho... No meio do pânico, a mão direita desiste do sofá, vai à mão esquerda e dá de caras (neste caso, de mãos) com o comando da televisão - entalado entre As Intermitências da Morte e o telemóvel. Estrafeguei o botão do volume em decrescente, continuando de costas para a televisão, na esperança de que o mesmo funcionasse, também, como um mecanismo de repatriação da tal criatura (cuja mão estaria já muito próxima da minha nuca) para dentro do aparelho. Findo o processo, enfrentei o mesmo e, sim, tudo voltou ao normal.
Bahhhh.....

sábado, 16 de março de 2013

Elevado nível social, em retrato

(e noutra janela, ainda, a vizinha que tirou a foto - que eu não conheço de lado nenhum, porque não me dou com pessoas abelhudas...)

terça-feira, 12 de março de 2013

Ainda não Habemus Papam

Li agora no site da Time.

O que é extremamente fod lixado para o aquecimento global e tal. 

My kitchen Late Night

Tive uma instalação artística em cima do frigorífico. Foi o culminar de um processo criativo que se desenrolou naturalmente ao longo de vários dias de intenso trabalho. A obra era de uma artista muito conhecida da nossa praça: Putrefacção. 
Não é a primeira vez que a minha cozinha serve o propósito de dar a conhecer o talento e o estilo tão característicos desta artista. E não será, com certeza, a última - a menos que eu (num futuro não muito distante) perceba que o acto de comprar fruta não me transforma numa pessoa (um pouco mais) saudável. Comê-la, efectivamente, é capaz de ajudar.
Sinto a vossa reprovação a pesar-me nos ombros e a deslizar-me pelo resto deste corpo atrofiado e carente de vitaminas. Sacudo-me.
Prometo que vou mudar de atitude (se a inépcia assim mo permitir).

segunda-feira, 11 de março de 2013

Era pô-la numa cápsula do tempo.

Quem? A adolescente que surgiu na reportagem do Jornal da Tarde, à porta do Pavilhão Atlântico, envergando uma tatuagem do Justin Bieber (diz que tem seis, todas dedicadas ao tal do justino, mas aquela estava estrategicamente posicionada no braço, com a exposição pública à distância de curto arregaçar de manga). Regulava-se a coisa para os 10 anos- se calhar 2 seriam suficientes -, seleccionava-se a direcção "futuro", e ficava-se à espera da reacção na volta. Como nos filmes de terror, quando sabemos que algo de absolutamente assustador vai acontecer - não sabemos o que é, sabemos apenas que vai ser mau, que vai ser feio. Depois abria-se a cápsula do tempo (imagino a cápsula do tempo com uma porta de ferro, muito grossa, que chia ao abrir) e era gozar o momento.

Really? I mean, Really????

Acabei de ler nos comentários de um blogue:

«Sou professora a 26 anos entrando para os 27(...)»

quinta-feira, 7 de março de 2013

Será uma questão de "fazer jus ao nome"?

Standard (noun): 
something considered by an authority or by general consent as a basis of comparison; an approved model.
 
 
Poor (adjective): 
1.
having little or no money, goods, or other means of support: a poor family living on welfare.
2.
Law. dependent upon charity or public support.
3.
(of a country, institution, etc.) meagerly supplied or endowed with resources or funds.
4.
characterized by or showing poverty.
5.
deficient or lacking in something specified: a region poor in mineral deposits.
 
 

Apetece-me furar os olhinhos com um garfo...

Por só ontem ter descoberto os "dancing inmates".

Arghgh!

quarta-feira, 6 de março de 2013

karma's a bitch only if you are.

Nesta última semana, a S. mudou-se de malas e bagagens para o sótão do meu corpo. Ela e uma dor de cabeça que insiste em perdurar. Não fosse eu tão controlada nisso de "comer" farmácias e já lhe tinha aplicado doses cavalares de analgésicos. Se também expulsassem a S. deste "condomínio" que não lhe pertence era certo que os tomava. A S. não é má pessoa, esse não é o problema. O problema é que a S. me lembra uma época em que eu não fui uma boa pessoa. Como minha atenuante tenho o facto de me estar a reportar aos meus tempos de adolescente (e quem não foi um 'ganda estupor nessa fase estúpida da vida que me atire a primeira pedra... devagarinho). Numa bela manhã, dos distantes primeiros anos da década de noventa, a S. apareceu na escola com um ar meio esgazeado. Movia-se num passo que pretendia ser discreto e que teve exactamente o efeito contrário. Todos lhe perguntavam o que tinha mas da boca dela não saía pio. Ao fim de algum tempo, e perante a insistência, lá sibilou meia dúzia de palavras. Tinha um aparelho nos dentes. Naquele tempo, o amontoado de aramezinhos estava muito longe de ser o quase "acessório de moda" tão apreciado pelos adolescentes de hoje (a adolescência é mesmo a fase mais estúpida da vida). Naquele tempo, era precisamente o contrário. Seguiram-se dias de piadas parvas sobre o aparelho da S.. Ela fingia que não a afectavam e, como resposta, as piadas continuavam subindo cada vez mais alto na escala da estupidez. Eu ajudei um bocadinho nessa escalada rumo à estupidez suprema, à estupidez absoluta.
Faz hoje uma semana, sensivelmente um mês depois de ter completado 37 anos de idade, que pus o meu aparelho. Aliás, que mo puseram.

Grão a grão, esvazio o coelho o papo (do povo português)



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval 2013


O que será mentalmente menos dispendioso: inventar desculpas novas para não sair de casa ou arranjar amigos novos?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii bip bip

Tenho estado a fazer as devidas manobras de reanimação a isto, a ver se a coisa se dá. Fevereiro já vai largo e este é o primeiro post de 2013. Uma lástima! Digo eu.
Tem-me falhado a "inspiração pura e perfeita" como diria a traumatizada Florbela, que tanto aprecio. Muito tempo sem dizer nada não é simpático, eu sei!

Raio de barrinha cor-de-rosa que teima em aparecer ali em cima, a dizer que ocorreu um erro qualquer. Eu estou a tentar voltar em paz, blogger! Colabora.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

«Não há nada mais assustador do que a ignorância em acção» (*)

Em 2005 uma leoa queniana adoptou os cinco filhotes de um antílope e as pessoas ficaram derretidas com tamanho gesto altruísta. Em 2010, algures na savana africana, um babuíno bebé é adoptado por um leopardo. O mesmo leopardo que momento antes esquartejara a mamã babuíno. Para deleite dos mais sensíveis, a National Geographic registou a cena em vídeo. As imagens do predador subitamente acometido pelo instinto maternal (paternal, neste caso) correram o mundo e fizeram rolar uma lágrima aqui e outra acolá. Muitos animais domésticos são, também, protagonistas de histórias idênticas. Talvez poucas tenham sensibilizado tanto como a da cadela rottweiler que em 2009, nos estado da Flórida (EUA), amamentou uma ninhada de porquinhos órfãos. Afinal de contas, era uma rottweiler. E agora pasmem-se: era uma mistura de rottweiler com pit bull. Oh God! It´s amazing! - diziam os americanos, que entretanto se haviam metido nas suas auto-caravanas estupidamente grandes e tinham feito milhas e milhas para ver a Tequilla (a cadela) amamentar os seus porquinhos. As pessoas são assim, sensíveis. Adoram uma história de amor. 
Mas, ao que parece, as pessoas não gostam de todas as histórias de amor. Umas merecem-lhes maior credibilidade do que outras. Na verdade, tudo depende dos protagonistas.
E é precisamente aqui que fico baralhada, quando vejo animais a agir como pessoas e pessoas a agir como verdadeiros animais. E a estas últimas, sobretudo às que acham que a adopção de uma criança por um casal homossexual é contra natura, só me apetece mandá-las foder. É verdade, eu escrevi F-O-D-E-R. Com todas as letras. 
Contra natura e não amar uma criança da forma que ela merece. Contra natura é privar uma criança de viver e crescer feliz com alguém que não a pariu mas que a ama como ela merece ser amada.
Contra natura é o preconceito.

(*) Johann Goethe

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E, por isso, foi um dia muito feliz!

No dia em que celebraram 40 anos de casamento, os meus pais festejaram. Foi um festejo tímido e que contemplou apenas os membros mais próximos da família mas que teve direito a bolo e a brinde. E não poderia ser de outra forma que não uma tão recatada porque, além de combinar na perfeição com as suas personalidades pouco dadas a muito alarde, foi a primeira vez que o fizeram. E por isso, eu ignorei o facto de ter perdido o emprego nesse dia, engoli em seco e festejei com eles. Aquele dia não podia ser o dia em que eu perdi o emprego. Não agora que deixou de ser o dia em que o meu irmão mais velho morreu e voltou a ser o dia em que os meus pais se casaram. 
E não imaginam quantos empregos me valeu aquele recolhido festejo!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

E vocês, o que deixariam neste museu?

Lá para os lados de Zagreb há um museu diferente. Lá dentro não se expõem obras de artistas afamados, expõem-se memórias de relações passadas. Anónimos que, por algum motivo, quiseram partilhar, com o mundo inteiro, aquele objecto e a história por detrás dele. As pequenas salas de paredes claras contrastam com o peso e a dor (ainda) patente em algumas histórias. Outras há que, pelo toque humorístico empregue no texto, denunciam a reconquista da paz interior. A paz que vem quando tudo fica, finalmente, resolvido dentro de nós. Estas últimas fazem-nos esboçar um sorriso. As primeiras não tanto. Mas ambas nos trazem à memória histórias vividas na primeira pessoa. É quase impossível calcorrear aquelas salas sem pensar num ou noutro objecto que, também nós, poderíamos deixar ali. Partilhá-lo com o mundo inteiro. Para muitas pessoas talvez funcione como uma descarga emocional, um desabafo. Um desabafo que, certamente, chegará a muitas pessoas. 
Numa das últimas salas deste museu - Museum of broken relationships, dividam a atenção entre as peças expostas e os dizeres pintados na parede, e terão esta bela surpresa:
À saída, comprei  uma borracha de tamanho extra-large onde se pode ler: Bad Memories Eraser. Uma graça. Se estiverem muito precisados gritem... alugo-a a preço camarada.
E pensar que tudo isto começou com o fim de uma relação amorosa entre dois artistas. Há coisas fantásticas, não há?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Descubra as diferenças #2

No Japão, depois da passagem de um tsunami e com ameaça iminente de desastre nuclear, as pessoas fizeram compras assim:

Foto: Jo Yong-Hak/Reuters

Em Portugal, num dia de promoções de uma cadeia de supermercados foi assim:

Foto: www.tvi.iol.pt

(E isto, para mim, é o aspecto verdadeiramente chocante do dia de ontem.)