sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

See you next year, dear blogger’s

No ano passado eu nem sabia que vocês existiam. Este ano é um pouco diferente. Quer dizer, vocês até podem ser loiros, altos e de olhos azuis e eu imaginar-vos morenos, baixinhos e de olhos castanhos. Mas não importa, porque agora eu sei que vocês existem, independentemente da vossa linda fronha, right? Ora, por saber da vossa existência, resolvi roubar uns minutinhos aos preparativos para logo mais para vos desejar uma boa noite, seja em casa na companhia da família ou com amigos num qualquer hotel de luxo ou, simplesmente, nas ruas da Nazaré com uma garrafa de champanhe na mão e os dentinhos a bater de frio. Bebam que o frio passa (mas não bebam demais, ok?).

E agora vou entrar em estágio, porque isto de fingir que se adora a noite de passagem de ano, que se acha que é uma noite diferente das outras, tem o seu quê de preparação psicológica árdua. Sim, porque é aborrecido passar a noite toda a ouvir “estás triste?”, ”não te estás a divertir?” só porque não ando aos gritos, com o penteado esfrangalhado e um sorriso à Jack Nicholson. Desejem-me boa sorte.

Divirtam-se!

Um alô especial aqueles que acham que isto tem o mínimo dos mínimos de interesse para ser lido. ;) **

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um whisky duplo por favor. (...) Deixe ficar a garrafa.

Bartoon de 30/12/2010, Público

Queira Deus que em 2011 não se lembrem dos pinguins de Adélia. Eles já têm problemas que cheguem.

Em 2010, eu fui submetida ao PEC e sobrevivi!

Ahh... espera... Era um pec pack de minis!
:/

É um avião? É um sismo? Não… é o…

Ai 'gizas' que barulho é este? Credo! Será um sismo? Será melhor saltar já da cama ou …? Parou! Tiro os cabelos da cara, respiro fundo e tento perceber o que se passa. Seria um sonho? Talvez um pesadelo, talvez… Outra vez? É uma réplica!? Mas está tudo quietinho, a Terra não está a tremer… É o… Não pode ser… É mesmo!! O pai...
O pai ressona cada vez mais alto. Pobre mãe.

Diálogo matinal (de loucos):

Mãe: Tens de ir ao médico.
Pai: Porquê?
Mãe: Porque estás a ressonar cada vez mais.
Pai: Tu é que tens de ir ao médico.
Mãe (tentando disfarçar a irritação): Porquê?!!
Pai: Porque não dormes.
Mãe (sem qualquer pudor em disfarçar a irritação): EU NÃO DURMO PORQUE TU RE-SSO-NAS!

(silêncio sepulcral)

Nota mental: Para salvaguardar o sucesso de hipotéticas rarelações futuras, não esquecer de perguntar (algures entre o histórico de doenças venéreas e a verificação do registo criminal) - o menino ressona?

A partir de hoje, quando se quiserem referir à Ensitel digam antes:

"Aqueles de quem não pronunciamos o nome".
E pronto, ninguém se chateia.

E não, não apago este post nem que "aqueles de quem não pronunciamos o nome" mandem a minha mãe pôr-me de castigo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Say cheeeeese (quem tem piercing na língua também tem de dizer)

Já percebi por que é que as pessoas fazem piercing’s na língua*. Para porem a língua de fora nas fotografias. E, ou muito me engano, ou penso que descortinei algo que parece ser um comportamento padrão: enquanto esticam o tal órgão muscular, devidamente ornamentado, tendem a fazer malabarismos manuais complicadíssimos. Ou isso ou, então, são todos do PSD.

* Tirando aquela razão que, a menos que seja um mito**, considero deveras altruísta (vocês sabem qual, right?).

** É que, eu cá, nunca experimentei, por isso não vou negar, à partida, uma ciência que desconheço - if you know wath i mean... ***

*** Importas-te de parar com a cena dos asteriscos?

[Ok.]

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O desafio dos estereótipos (numa cozinha perto de mim)

Arrumou a cozinha com um speed fora de normal. Eu julguei que fosse por causa da novela. Que quisesse estar relaxada no sofá para apreciar cada segundinho da trama, sem o barulho dos tachos e dos copos. Mas não, aquela pressa toda era para conseguir arrumar a cozinha antes de o pai sair do banho. “Já vais ver por quê” – respondeu ela, enquanto socava o pão para conseguir fechar a porta do armário. O pai saiu do banho e está aborrecido - a mãe está a ler A Bola e só vai na 10ª página.

Da próxima vez que for lanchar com o H. (que é guloso ‘cumó’ carago), não posso ficar abespinhada com o empregado por pôr o Banana Split dele à minha frente e o meu descafeinado à frente dele. Pelo menos vou tentar… mas se ele tem dúvida pode perguntar, não pode?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

(In)Conveniente

Eu sei que as pessoas abusam muito, que não respeitam nada nem ninguém e, nesta altura, as mortes na estrada aumentam e ensombram o Natal de muitas famílias… mas será assim tão imprescindível colocar mensagens deprimentes nos placards electrónicos das auto-estradas? É muito aborrecido ler aquelas mensagens a cada 20 ou 30km. Eu sei que posso morrer a qualquer momento, não preciso é que mo digam a meio de uma viagem que eu sei que envolve um certo risco.
A minha mãe, ao telefone - histérica e a fazer contas de cabeça para ver se consigo escapar à hora de ponta no Porto - tem o poder de me pôr os nervos em franja mesmo antes de eu sair de casa, os outros condutores e as suas manobras de bradar aos céus, as filas intermináveis para pagar as portagens de pagamento automático (sim, definitivamente, os portugueses ainda não estão preparados para este tipo de portagens)… e, volta e meia, aquelas palavras terríveis: “No Natal de 2009 morreram X pessoas nas estradas portuguesas. Modere velocidade.”
E uma pessoa pensa logo: “será que chego a casa? Ou será que fico já aí na próxima curva?”

Porra, pá! Mudem lá essa estratégia sff!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mensagem (ressabiada) de natal

Detesto ser portadora de más notícias mas o dever sobrepõe-se a esse mal-estar. Pais deste país, confirmem se têm um bom stock de figos em casa.

Ok, admito: pensava que tinha superado isto mas parece que não!

(Fim da mensagem ressabiada)


Boas festas! (pelo corpo todo...)

Síndrome "wikileaks"

Tenho aqui os dedinhos a fervilhar, a bater mesmo ao lado do teclado do portátil (naquela parte que descreve as características do bicho - que o vendedor me explicou, detalhadamente, e que eu fingi que percebi, quando na realidade estava deliciada com o tom rosa do bichinho ao lado) [LOADIIIIIIIIIIIIIIIING] … a bater mesmo ao lado do teclado do portátil, fazendo um barulinho parecido com um cavalinho a galopar, com uma vontade quase incontrolável de vos “contar” uma coisita! Mas depois penso: “não podes escrever isto! Um dia destes, contas a alguém que tens um blogue e vêm cá ler isto e não vão gostar… Ela/ele não ia gostar de ver isto aqui, ia ler e reconhecer-se logo nas palavras…” Ora porra! Lá por que gostamos das pessoas não temos, necessariamente, de concordar com tudo o que fazem ou dizem! E quem é que, num momento ou outro de suas vidas, nunca meteu a pata na poça? Hã?

E é nessa altura que penso (e o cavalinho retoma a corrida): “oh, eu nunca vou dizer a ninguém, por isso posso escrever à vontade! Além disso, não identifico ninguém... (Um "J" tanto pode ser o João do 6ºesq, como o Jeremy, from Ventura Boulevard, ou  até o Jin Zung, lá d'uma terriola qualquer da China... e, falando de chinocas, aí é que vocês se perdiam nos milhões e milhões de hipóteses) 

Mas há sempre aquela nuvem cinzenta que paira sobre nós e nos censura a escrita. E, isto, é completamente absurdo! Porque, uma coisa é o cavalinho não poder galopar porque está preso a uma amarra feita com nó de escota dobrado (e do outro lado da corda está uma âncora com meia tonelada), e outra coisa, completamente diferente, é o cavalinho ficar parado porque acha que não pode (ou não deve) galopar! E aquele prado verdejante ali, a seus cascos...

Os dedinhos pararam. Fica para a próxima!

Oub’lá auto-crítico: Se não ias contar por que é que começaste? Hein? És uma “party pooper” (putz)!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tomara a Anabela de Malhadas ter feito xixi na igreja… TO-MA-RA!

Quando a meio de uma viagem, já na auto-estrada, se percebe que a carteira ficou em casa e que os 5€ que, por acaso, estavam esquecidos no bolso do casaco não chegam para pôr combustível e pagar a portagem… estamos com um problema!
Um problema que não o seria se o combustível não estivesse na reserva desde anteontem, ou se o cartão multibanco não estivesse, também, na carteira.
Sendo o valor da portagem de quase 3€, não é preciso ser um Pitágoras (que eu nos últimos dias estou mais para Anabela de Malhadas do que para outra coisa qualquer) para perceber que parei na bomba e “atestei” 2€ de combustível.
E acreditem que fiquei incomodada quando, no balcão de atendimento, a menina disse “são dois euros sff” e me lançou um olhar estranho. Ela e todas as pessoas que se encontravam no local. Sim, que eu bem senti as suas cabeças a rodar na minha direcção. [E, ainda que por breves instantes, aquela cena transportou-me para o ano de 1980, no dia em que fiz xixi na igreja, e não foi uma recordação agradável. Não foi mesmo!]
Mas o que é isso comparado com o facto de não ter ficado empanada com falta de combustível? Nada. Tenho de ver se não me esqueço de ir lá amanhã atestar o depósito - só naquela de limpar um bocadinho a imagem. [Em 1980 não foi assim tão simples, e tenho de encarar isto como um aspecto positivo.]

E se não conhecem a Anabela de Malhadas (coisa quase impossível), espreitem o vídeo (vale a pena… oh se vale!). Se conhecem, só vos digo que, comparar-me com ela foi apenas uma tentativa de dramatizar a coisa (ninguém é como a Anabela de Malhadas - ninguém!).

domingo, 19 de dezembro de 2010

Raios partam esses blogger’s...

Que escrevem coisas boas, mesmo boas, boas, mas é que é daquelas mesmo boas, boas… que tenho uma acta de uma reunião para fazer e… é isso mesmo – está por fazer. Damn you all!
Como diz a avó de uma conhecida minha vocês "embruxaram-me”! Uns bruxos(as) é o que vocês são!!!! Todos! Não se aproveita nem um! Grhgrhgrh…

Perspectivas

Parece que a pequenada já está de férias e, agora, já saem à noite - até às quatro, cinco da manhã. Resultado: num espaço com cerca de três mil pessoas, duas mil e quinhentas tinham, em média, dezasseis/dezassete anos. E é vê-los a dar-nos cotoveladas no copo, a pisar-nos os pés, a interromper conversas porque a “mana” está mesmo atrás de nós (e entretanto já as “manas” gritam entre as nossas cabeças e esticam os braços mesmo à frente das nossas caras), ou então a esmagarem-nos, porque têm mesmo de passar por ali e a multidão não é coisa que não se resolva com um arrastão. Houve mesmo um momento em que me senti tentada a levantar os pés e deixar-me ir, mas tive receio de que a pessoa que falava comigo pensasse que eu era mal-educada e, a custo, lá consegui remar contra a maré e acabar a conversa.

E no meio dos meus pensamentos semi-infanticidas tive, finalmente, um pensamento lúcido: “o que é que eu estou a fazer aqui?”.

Estar aqui - pensei - é mais ao menos como entrar numa tasca pitoresca no Bombarral para telefonar - porque o carro empanou numa estradinha sem cobertura de rede móvel - olhar em redor e pensar “estes gajos que bebem aguardente às nove da manhã são uns labregos”. Mas não! Eles estão no seu "habitat" natural. Eu é que sou a carta fora do baralho.

Digamos que ontem fui, sem dúvida, a carta fora do baralho. Eu e as outras quatrocentas e noventa e nove pessoas com “um pouco” mais de dezasseis/dezassete anos. E sermos aquela pessoa a quem uma garota (que não tinha mais de quinze anos) vem pedir ajuda, porque a amiga está na casa de banho prestes a entrar em coma alcoólica, é a prova cabal disso.

Não sei se sou seu que estou a ficar velha, e com menos paciência, ou se são eles que começam a sair cada vez mais cedo e são cada vez mais mal-educados? Eu prefiro pensar que é a segunda combinação, por razões óbvias.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

1986* - O ano em que eu me zanguei com o Menino Jesus.

Nunca houve muitas prendas lá em casa. Uma por bota, e olha lá! Mas a emoção era três ou quatro vezes maior do que a dos miúdos que hoje recebem 50.
Corria o ano de 1986 e, ao jantar, alguém levantou a possibilidade de o Menino Jesus não passar por nossa casa. “O MENINO JESUS VEEEM!!” E veio!
A emoção de ver que tinha qualquer coisa dentro da bota foi diminuindo à medida que me aproximava dela. Peguei na prenda, perplexa, e olhei para o meu irmão, que mirava a dele com a mesma incredulidade. Eram iguais.
Eu não queria acreditar que o Menino Jesus nos tinha trazido, como prenda, um pacote de figos! Fi-gos?
Mas, acima de tudo, o que eu não conseguia perceber era: como é que ele (que sempre me disseram que via e sabia tudo) não sabia que nem eu, nem o meu irmão, gostávamos de figos!?!
Imperdoável Menino Jesus, imperdoável!

Uns anos mais tarde, quando percebi que o Menino Jesus era, afinal, o meu pai, fiquei muito magoada. Foi uma forma muito insensível de acabar com a treta do Menino Jesus, pensei. Hoje, muiiiitos anos mais tarde, admiro-o pela sensibilidade de ter começado com a "treta" do Menino Jesus, porque, a ele, nunca lhe puseram uma prenda na botinha. Ele, nem botinha tinha, andava descalço.


* E pensam as pessoas que o acontecimento mais importante, desse ano, foi a entrada de Portugal na, então, CEE... Por favor!

Imagem original: "Mafalda", de Quino.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

E no entretanto... não houve beijinho.

Há pouco, no meu local de trabalho (onde estou há quase dois anos), recebemos a visita de uma ex-colega que se reformou recentemente. Era uma pessoa que todos respeitavam e, tirando os episódios em que “vestia a pele” da esposa do Sr. Advogado (senhor muito cobiçado pelas colegas da mesma faixa etária), era merecedora desse respeito. Eu estava sentada numa secretária, mesmo à entrada da sala, quando a avistei no corredor. Quando me preparava para a cumprimentar com um “olá” ela disse, enquanto passava por mim, “deixa-me cá dar um beijinho às colegas mais antigas”. Ok querida, informação registada. O seu beijinho é demasiado especial para ser distribuído, assim, por qualquer uma. A novata (como é que ela se chama mesmo?) que se reduza à sua insignificância. Mas a novata não queria (desesperadamente) um beijinho, ela só ia dizer “olá”, como rezam as regras de boa educação, que seus pais lhe ensinaram (e o pai, imagine, nem sequer é advogado). Fica para uma próxima. Ah… espera! Não haverá próxima vez. Ela pode ser novata, mas não é parva. E só é educada quando tem feedback! E sabe ignorar como ninguém! Não fosse ela uma aquariana, daquelas que guarda este tipo de episódios no “disco rígido”, com espaço ilimitado.

A novata é educada, não é perfeita!

Ser chique a valer não é ter um marido advogado quando as pessoas da sua geração têm, geralmente, uma escolaridade baixa. Ser chique a valer é ser uma pessoa educada, independentemente do grau de instrução (o do nosso cônjuge incluído). Vou repetir devagarinho: E-DU-CA-DA! Percebeu?

E dizer “olá” é coisa para demorar (dependendo da sua dicção) cerca de meio segundo. Meio segundo do seu precioso tempo!

Imagem: abeautifulrevolution.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Que grande dilema...

Qual destes devo misturar no meu café com leite matinal?

É que o 1/2 kg... já deixou de o ser!

Eu só espero que as pessoinhas dadas a histerismos não descubram isto, caso contrário o espaço nas prateleiras dos supermercados vai continuar a aumentar!

PS1: Estou inclinada para a barrinha energética. É que não gosto, nem muito doce, nem muito amargo...

PS2: Alguém sabe como anda a produção de cotonetes? Não me escondam nada!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Eu só tenho 1/2 kg de açúcar em casa... mas vou sobreviver!

Obrigadinha a todos os histéricos que têm kg e kg em casa... guardadinhos na despensa!

Quando disseram na TV que não havia no supermercado, achei um exagero... mas não! Nem branco, nem amarelo, nem em cubos... nada!

sábado, 11 de dezembro de 2010

E esta, hein?

Aqui há uns dois anos, vi um episódio do The Hills, em que duas das protagonistas da série estavam a braços com um problema horripilante: num dos seus primeiros trabalhos como stylistas, minutos antes de um concerto numa discoteca, a cliente (artista desconhecida que ia actuar) encravou o fecho éclair. O problema rapidamente se transformou no momento alto do episódio - a forma como elas conseguiram puxar o fecho e respirar de alívio. Ufa!

A artista desconhecida do episódio, ontem, encheu o Pavilhão Atlântico!

[Talvez esteja aqui a resposta para algumas questões: Por que é que ela usa tão pouca roupa? Por que é que ela se veste com bifes?... Ficou traumatizada com o fecho éclair, pois claro!]

Eu vi um filme do Manoel de Oliveira e sobrevivi!

Parabéns ao Sr. Manoel de Oliveira!
(Pelo aniversário, claro!)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Natal visto…

Pelo Menino Jesus: A globalização venceu-me! Desde que aquele gordo vestido de vermelho apareceu, a minha vida nunca mais foi a mesma. Sem qualquer fonte de rendimento, se não fosse o Banco Alimentar Contra a Fome, o meu Natal seria bem pior! Direitos da Criança, does that ring a bell? Ai e tal as crianças não podem ser vítimas de trabalho infantil. E comida? Como é que eu me sustento sem o meu ganha-pão? Não percebo nada de computadores, arranho mal o Inglês… querem o quê? Que vá para as Novas Oportunidades? E o que é que eu vou pra lá contar da minha história de vida que o mundo não saiba já?

Pelo Pai Natal: Esta época alta mata-me. Mas que raio de emprego fui eu roubar aquele puto de vestido branco! Como é que ele aguentava distribuir esta tralha toda só com um burro velho e teimoso! Tenho que deixar de beber Coca-Cola que, com esta pança (que é só retenção de líquidos… e gases!), qualquer dia não subo o trenó! E com esta idade, e esta imagem gasta, vou fazer o quê? O melhor é enviar já um currículo para a TVI, que lá para Fevereiro já tenho um talk show em horário nobre. Volta Menino! O Tio Claus está cansado.

Pelo Rodolfo: Este velho está cada vez mais pesado. Credo que se não fazes uma dieta, eu peço já a reforma antecipada e quero lá saber da penalização. Ai e tal os direitos dos animais… Cadê! Não me basta ter cornos, carago!

Pela Virgem Maria: Horas de parto difícil pra carago, numa gruta fria e escura, e o que esta gente se lembra no Natal é de saldos na Zara e de peru assado na mesa. Querem ver que tenho de me pôr em cima de uma oliveira, outra vez, assim só naquela de meter um bocado de respeito a esta gente mal agradecida?!

Por S. José: E eu? Tive de assistir aquele parto dificílimo na gruta (e o puto nem sequer era meu), arranjar uma parteira no meio do nada, tive uma capacidade de resposta fantástica (num momento de tão grande aflição), facilmente comprovada por aquela manjedoura de vacas que, tchan ran, se transformou num berço, com colchão de palhinhas fofinhas (momento que, dois mil anos mais tarde, viria a dar um espectacular programa de televisão, de seu nome “Querido Mudei a Casa”)… e ninguém se lembra de mim?

Pela vaca: Ia ficando sem fôlego a mandar bafinhos quentes ao Menino, nas palhinhas deitado, e ele deixa que me transformem na imagem de marca de um insulto requintado ao mulherio, por esse mundo fora. Então nós não tínhamos combinado que essa coisa de eu ser sagrada era no mundo inteiro? Achas que a Índia é o mundo inteiro, carago?!! No meio de tantas escapadinhas para o templo (para dar uma de menino inteligente que percebe das escrituras e tal) deves ter faltado a umas aulas de Geografia. Deves, deves! Fosses lá agora que te recambiavam pró psicólogo com diagnóstico de hiperactividade e distúrbio de défice de atenção, só pra não te armares aos cucos!

Pelo burro: Como se não me bastasse ter tido como companheira bafejadora aquela fingida daquela vaca (que se não fosse eu, a bafejar como deve ser, o Menino ia desta pra melhor com uma hipotermia galopante) ainda tenho de levar com milénios de insultos descabidos a associar-me a acéfalos e teimosos. Menino, és um mal agradecido. E um péssimo gestor: És o filho de Deus e nem o teu emprego consegues manter? E o burro sou eu?

Pelos Reis Magos: Quilómetros a seguir uma estrela no céu, em cima de camelos duros que nem cornos (que durante dias ficámos todos com um andar novo, e nem vamos falar aqui das piadas de mau gosto que tivemos de ouvir por causa disso, mas, como éramos três… digamos que, a palavra ménage caía-nos mal) e quem é que se lembra de nós? E mais grave – quem é que disse que nós chegámos à gruta no dia 24? Hã? A ideia das prendas foi nossa e nem sequer as conseguem dar no dia certo? Nós tínhamos camelos (duros que nem cornos), não tínhamos um jacto privado (com bancos fofinhos e hospedeiras giras)! Ai taaanta dor nas cruzes e no…

E um psicólogo pro bono pra esta gente toda, não há?