domingo, 31 de outubro de 2010

A Dona Maria não se amedronta com uma "chuvinha"

Andersen Shopper



Quando hoje, de manhã, me levantei para ver como estava o tempo e escolher uma de duas opções extremamente energéticas - se me transferia da cama para o sofá ou voltava para o quentinho dos lençóis, já a Dona Maria passava na rua, com o seu trolley carregadinho de produtos fresquinhos da praça. 

Bad memories (e pouca comida)

Ontem vi-te no supermercado. Foi como se tivesse levado um soco no estômago. O chão não tremia mas as pernas equilibravam o corpo a custo. As compras foram feitas à pressa. Metade dos itens da lista não veio. Hoje, para além do desconforto da lembrança, parece-me que vou passar alguma fome. [roiiink roiiink]

sábado, 30 de outubro de 2010

Poderes paranormais! Ou, simplesmente, mãe.

Fim-de-semana prolongado!
Pfiazinha prepara uma visita à família (pais, irmão e tia) que não vê desde o final de Agosto. Tem muitas saudades! Pfiazinha não diz à mãe que vai, para fazer surpresa (e não a preocupar), mas faz-lhe tantas perguntas sobre o estado do tempo e as obras na estrada de acesso à “santa terrinha” que a mãe (que é mãe) rapidamente lhe descore a careca!
Mãe de Pfiazinha entra em “panic mode” porque os senhores da televisão dizem que o país está em alerta laranja.
(...)
Pfiazinha desfaz a mala!

Nota mental: nunca mais, mas nunca mais mesmo, lhe atendo o telemóvel na véspera das minhas viagens-surpresa para casa!

O Preço Certo, em sentimentos.

Lembro-me mal da L.! Era mais velha do que eu, uns 3 anos.
Frequentámos a escola primária da “santa terrinha” na mesma altura. Não era grande estudante, saiu já com idade avançada. Depois de dois anos de escola preparatória, emigrou para França. Não sei se foi lavar escadas ou trabalhar para uma fábrica qualquer. Só sei que nunca mais a vi.
A malta da “santa terrinha” foi sabendo coisas pelas duas irmãs mais novas, também emigradas para França em anos posteriores.
Num ano veio a notícia do casamento. Noutro ano, a do primeiro filho e, nos anos seguintes, o segundo e terceiro filhos. E, mais tarde, notícias sobre a vida desgraçada que tinha, pautada por violência doméstica, problemas económicos graves e muitas horas de trabalho, para compensar os períodos em que o marido, bêbedo, faltava ao dele.
As notícias foram escasseando, ano após ano, depois das irmãs da L. terem deixado de lhe falar.
No Natal passado ouviu-se pela aldeia que a L. não tinha vindo por que não tinha dinheiro para a viagem. “Pobre coitada”, ouvia-se pelas ruas empedradas do lugarejo.
A mãe da L. tinha pouco para dizer. As outras filhas, emigrantes de sucesso, enchiam-na de orgulho e da boca saíam-lhe palavras bonitas, “estas sim!”. Mas sobre a L., nada semelhante, “Essa? Nem dinheiro tem p’ra cá vir!”. A L. tinha pouco tempo de antena, era a ovelha negra da família.
Mas desde a semana passada, o discurso mudou! A mãe choraminga pelas ruas, lamentando a pouca atenção que deu à L., ao longo de todos estes anos. Anda muito arrependida por ter desprezado a filha, por nunca lhe ter dado a mão, “Eu devia era ter-lhe dito para ela largar aquele marido e vir para cá, eu devia ter cuidado dela… os meus netinhos, coitadinhos…”.

Não! A L. não morreu.

A L. ganhou um prémio, em França, de quase 5 milhões de euros! (ainda não sei em quê, mas sei que não foi o euromilhões)

Cirrose emocional

Alguns homens são como aquele último copo da noite: estamos bem, mas pensamos que podemos ficar, ainda, melhor.
Não há é gurosan para essa ressaca.

Haverá, certamente, mulheres idênticas. Mas cada qual que cuide das suas cirroses.

Em Beja?! Atão e ninguém me dizia nada, senhores?!

Ora bolas!
Hoje foi dia de Marisa Cruz na televisão e eu, badameca d’um carago, esqueci-me OUTRA VEZ de jogar!

Se, pelo menos, eu soubesse que pôr o dinheiro em Beja a render era coisa para me dar uns milhares por dia, já os meus cêntimos se multiplicavam por lá há muito. Mas não! Continuo na penúria. Pelo menos até à próxima sexta feira, dia em que me vou lembrar de jogar e… pimba! Sempre é mais barato do que um bilhete de autocarro p’ra Beja!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vamos fazer um “supônhamos”

“Supônhamos” que eu sou uma rã. “Supônhamos” que um escorpião me pede para o transportar nas costas até à outra margem do rio.

Já não o via bem mas ainda consegui ouvir estas palavras, lá ao longe, enquanto “me quinava”:
- “desculpa, mas está na minha natureza”.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O amor não é só cego, também tem Alzheimer!

Parece que alguém se apaixonou pelo meu carro. Eu não sou muito apegada aos bens materiais, mas o que é certo é que aquele bilhetinho no pára-brisas, incomodou-me! Não são ciúmes (ou isso ou, então, estou em negação!) mas temo que, por via da vaidade comum de quem se sabe amado secretamente, o meu bólide comece a ter um desempenho abaixo do esperado.
Por isso, estou empenhada em boicotar este amor e, para começo, decidi que, tão cedo, não te volto a lavar. Vou deixar acumular o lixo no teu interior até que me seja difícil meter mudanças. E, se a coisa ficar feia, não terei qualquer pudor em abastecer-te de combustível numa bomba de hipermercado.

Meu querido popó! Se circulares por aí cheio de pó na tromba, com as entranhas a abarrotar de lixo e a fazer barulhos esquisitos… eu quero ver se te continuam a deixar bilhetinhos amorosos no pára-brisas.


[Ainda estou para saber qual foi a tua característica particular que despoletou este amor. Já não és propriamente novo, pneus assim a puxar para o careca (já para não falar desses riscos na chapa que devem ser cá um turn off que não te digo nem te conto) e, mesmo assim, andas por aí a partir corações. Realmente o amor é mesmo cego!]

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Lamentavelmente verdadeiro

Este artigo do PRAVDA (sobre Portugal) que o Democracia em Portugal publicou.

Será tão deprimente o cenário que Portugal possa vir a ser, novamente, um país de saída? Obviamente, com a agravante de que, agora, não somos precisos em lugar nenhum para reconstruir seja que cidade for. A menos que seja no Iraque, ou no Afeganistão... Mas, nesses países, o que não falta é mão-de-obra barata. Outra agravante, portanto.

As más companhias são lixadas!

Observadores internacionais, como Jimmy Carter e a ONG Human Rights Watch, criticam o "autoritarismo" de Chávez e o "amplo espectro de políticas que minaram os direitos humanos" no país, durante seu governo.

“Diz-me com quem andas...”

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ler blogues

Vamos lendo… lendo…  Final da página, “mensagens antigas”, e siga.
E pronto: agora é só imaginar tudo exactamente no timing contrário.

Nota mental: Próxima vez que encontrar um daqueles que parece que vale a pena ler, de fio a pavio, é começar pelo final, ou melhor, pelo princípio… mas que fica no fim. Cruzes!

[Andarei a ler os blogues errados?]

sábado, 23 de outubro de 2010

Nada de pânicos!

Está desempregado? Não acabou o 12º ano? Não frequentou sequer qualquer nível de escolaridade? Não sabe ler nem escrever?
A sua sorte é viver em Portugal! Por isso, muito em breve saberá: ler, escrever, fazer operações matemáticas complicadas, falar uma ou duas línguas estrangeiras, utilizar com destreza as novas tecnologias (como por exemplo, produzir textos no Word teclando sessenta palavras por minuto - no mínimo, fazer tabelas em Excel, navegar na internet…). Ficou baralhado com tanta informação? Don’t worry, isso é só porque ainda não iniciou o processo de aquisição de competências, como lhe chamam. Ah, e também vai aprender o que quer dizer don’t worry (não quero estragar a surpresa!).
Enfim, uma vida cheia de “NOVAS OPORTUNIDADES”!

Será que percebi bem a notícia?

A Dona Maria

A D. Maria é a minha vizinha de baixo e, hoje, apetece-me escrever sobre ela. Porque ela é a pessoa que, no meio da frieza do dia-a-dia de quem vive numa cidade, me faz sentir que não sou só mais uma.
É uma senhora com 84 anos que vive sozinha, porque perdeu o companheiro de décadas há 3 anos. Uma senhora que está constantemente a esconder os seus problemas, para “não apoquentar ninguém”, como ela diz, mas que está sempre preocupada com os dos outros. Uma senhora que fica perturbada com o meu possível cansaço, quando chego mais tarde do trabalho, embora caminhe curvada, quase num ângulo de 90 graus, para suportar as dores nas costas. Uma senhora que tem imensos problemas de saúde mas que fica abalada com as minhas constipações, quando me ouve tossir à noite. Uma senhora que quando me vê ao fim do dia e se vai “recolher” me diz até amanhã e acrescenta “tudo de bom para si” com tamanha genuidade que me deixa uma lágrima no canto do olho.
Por tudo isto e muito mais, a D. Maria tem um lugar especial no meu coração e os seus 84 anos, às vezes, fazem-me um nó na garganta e no peito!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"A raiz do medo"

Eu sei que agora (quase) todas querem ser loiras porque… porque… é porquê mesmo?
Mas, por favor, dá para fazer a manutenção da coisa como deve ser? Essa raiz escura é do pior que há! Ora, que se pintem os cabelos da cor que bem se entender (o meu também já teve muitas) mas que se pintem com a frequência necessária para evitar este ar desmazelado que só visto.


Será Moda? Se é, desculpem-me a franqueza mas, continua a ser muito trashy.

Maldita língua sensível a líquidos quentes!

Quando três garotos chegam, acompanhados pela avó, à esplanada onde nos encontramos a saborear o lanche e o Sol, nada leva a crer que a nossa tarde está prestes a transformar-se num inferno. Quando eles começam a correr à volta das mesas e gritam com todas as forças que as suas pequenas goelas lhes permitem, temos um bad feeling. Mas calma, os meninos estão com a avó, a qualquer momento ela intervém e põe ordem naquelas criaturinhas.
A TV Guia desta semana deve ter reportagens altamente interessantes. A dita senhora não tira os olhos da revista. Admiro a capacidade de concentração da avó no meio daquele chinfrim. As pessoas sentadas noutras mesas começam a denunciar impaciência. Eu estou apoquentada porque o meu café com natas está muito quente. Delicioso mas, lamentavelmente, muito quente. Não vou conseguir sair dali tão depressa quanto queria. Para me distrair, tento avaliar a idade da senhora para perceber se já estará numa idade em que a capacidade auditiva se começa a deteriorar. Mas nunca fui boa em idades e o barulho à minha volta, juntamente com as dores na minha língua queimada, toldam-me o raciocínio.
Quando o lanche dos petizes fica pronto a avó levanta os olhos da revista e chama-os, AOS GRITOS. Os meninos aproximam-se e reclamam que não querem lanchar, que querem continuar a brincar, AOS GRITOS, claro! No meu daquela gritaria a avó tem o desplante de lhes GRITAR, qual suíno a reclamar a faca que lhe entra pelo pescoço: “NÃÃÃO GRITEEEEM!! AQUI NINGUÉM GRITAAAAAAAAA!!!!!”

Ah não?!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E depois, veio a globalização…

(há uns minutos, ao telefone)
Mãe: Sabes, quando eu tinha praí uns 7 anos, a tua avó mondou-me ir levar umas coisas a casa de um senhor que tinha chegado do Brasil.
Eu: Um brasileiro?
Mãe: Não. Um senhor aqui da aldeia que tinha emigrado para lá uns anos.
Eu: E…
Mãe: Antes de me vir embora ele deu-me uma coisa. Disse que era para eu comer, que eu ia gostar muito. Eu nunca tinha visto nada parecido com aquilo mas tive vergonha de dizer que não queria e aceitei.
Eu: E gostaste?
Mãe: Não cheguei a provar, achei aquilo tão estranho que no caminho de casa deitei fora.
Eu: Oh. Devias ter provado Se calhar tinhas mesmo gostado.
Mãe: Pois tinha!
Eu: Como assim?
Mãe: Era uma banana.
(5 minutos seguidos a rir, as duas)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ensaio sobre a falta de lucidez

Estou tão estafada que pondero não fazer jantar. O problema é que também estou esfomeada e, portanto, arrasto-me até à cozinha, ponho qualquer coisa congelada dentro de um pirex e forno com aquilo. Daqui a 20 minutos temos jantar. Nada de muito elaborado mas com valor energético suficiente para me permitir manejar o comando da TV, até o cansaço finalmente me vencer. 20 minutos volvidos arrasto-me até à cozinha e saco o pirex do forno. A força braçal empregue na manobra (altamente delicada) não foi suficiente e o pirex estatela-se no chão.
Uma mulher percebe que não está mentalmente sã quando dá por si, em pé na cozinha, a ponderar a possibilidade de apanhar os nuggets de peixe do chão, abaná-los para sacudir os vidros, pô-los num pratinho e morfá-los. Esta avaliação, dos eventuais danos causados na comida, demorou uns 30 segundos e seguiu-se de um “estás doisa?”. Olha, não janto, paciência.
Mas como qualquer demente que se preze, imediatamente vejo aquilo como uma afronta pessoal dos nuggets que jazem espalhados pelo chão, “vocês não vão levar a melhor!”. Repete-se o processo todo com a força braçal adequada e… (meia hora depois) nunca uns nuggets foram mastigados com tanto afinco nesta casa! Mas que jantei, jantei! E já limpei o chão da cozinha.

É claro que se vocês disserem que eu, um dia, pensei em apanhar comida do chão e comê-la, eu digo que é mentira! É a vossa palavra contra a minha!

Le Petit Nicolas (2009)

Não sou grande apreciadora de filmes franceses. Aliás, sou pessoa pra mudar de canal assim que percebo que os actores falam francês. Enfim, ninguém é perfeito. Mas na semana passada uma amiga arrastou-me até ao S. Jorge para ver o filme “Le Petit Nicolas”. Gostei. Vale a pena ver para soltar umas gargalhadas e esquecer as medidas de austeridade (ou tentar). E quem tiver pequeninos (que já consigam ler legendas), melhor ainda! O filme está a ser exibido na "11ª Festa do Cinema Francês".



Próximas exibições:
Guimarães: CC Vila Flor (21 de Out. às 14h:30)
Porto: Passos Manuel (23 de Out. às 14h:30)
Faro: Teatro Mun. de Faro (30 de Out. às 19h:00)
Coimbra: T.A.G.V. (09 de Nov. às 10h:30)

PS: Quando saí do cinema não vinha a pensar na lista de compras do supermercado.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

E em tempos de austeridade, vale tudo!

Segundo um conversor que encontrei no Google, 10 pesos mexicanos equivalem a cerca de 0,58€. Fiquei triste! A economia mexicana não é coisa para me tirar o sono, muito menos agora que a portuguesa está como está, mas que fiquei triste fiquei. Não se pode comprar grande coisa com 0,58€. Nem para um mísero café dá. Se estivesse a planear uma viagem ao México (para esquecer as medidas de austeridade - e agravar as minhas finanças pessoais) talvez ficasse mais animadita, mas não, também não se trata disso. A minha curiosidade por este câmbio em particular reside no facto de ter uma moeda de Diez Pesos dos Estados Unidos Mexicanos dentro da minha carteira! Como eu não estive recentemente no México (nem recentemente nem nunca) acho fenomenal que a dita moeda tenha aparecido na minha carteira. É muito parecida com a moeda de 2€. Não é igual, mas passa perfeitamente por uma moeda de 2€. A diferença é que 2€ equivalem a cerca de 34 pesos mexicanos, mas eu só tenho 10. Talvez seja bom começar a prestar mais atenção aos trocos que me fazem, isto não está para brincadeiras!

A pessoa que (POR ENGANO) me passou esta moeda deve estar inconsulável por ter perdido o seu recuerdo das férias. Imagino que tenha passado os últimos dias a verter lágrimas em cima da foto com Trajes de Charro e sombrero.

Cá pra mim é “muita fruta”.

Desde que soube que ele quer ser dono de uma frutaria, não consegue parar de imaginar aquele homem à porta do seu estabelecimento comercial, a limpar o pó das maçãs e das peras expostas na rua, com um sorriso de orelha a orelha, a cumprimentar os que por ali passam. A satisfação interior que essa imagem mental lhe trás fá-lo sentir que descobriu o seu propósito cá neste mundo: transformar em realidade o sonho daquele homem de poucas posses. Haverá altruísmo maior do que querer concretizar o sonho de um perfeito desconhecido*, só porque sim? Assim de repente não me ocorre nada.
A parte da reportagem altamente abonatória para a sua empresa, em que aparecem as instalações modernas da sua fruteira e os produtos de primeira qualidade, foi uma exigência dos jornalistas. Ele bem que tentou esconder o logótipo da empresa enquanto os jornalistas lhe faziam perguntas, mas já se sabe como são os jornalistas!
Resta saber se o mineiro chileno (futuro “fruteiro” chileno, de maçãs e peras portuguesas) já sabe deste gesto magnífico. É que cá em Portugal, as pessoas que viram a peça da SIC, já sabem.

* Desconhecido é como quem diz...
                     
[Deixem respirar os mineiros.]